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Regras de combinação de critérios

Última atualização: 29 de agosto de 2026.

Os critérios ACMG/AMP não são evidências independentes por definição. Antes de somar dois critérios, é preciso verificar se representam linhas de evidência biologicamente independentes — a mesma observação molecular, populacional, computacional, funcional, fenotípica ou familiar não deve ser contada duas vezes.

O VariClass avisa (sem bloquear) quando dois critérios marcados juntos correspondem a uma das combinações abaixo, com a justificativa e a referência específica. A decisão final é sempre do avaliador.

Não combinar

PVS1 + PM1

PVS1 e PM1 não devem ser combinados para a mesma variante.

PVS1 representa perda de função em mecanismo LOF conhecido; PM1 representa localização em hotspot/domínio funcional crítico. A ACGS 2024 determina que não sejam usados em conjunto.

Fonte: ACGS 2024, p. 10

PVS1 + PM4

PM4 não deve ser aplicado se PVS1 já estiver sendo usado.

PVS1 e PM4 podem representar interpretações alternativas da mesma consequência estrutural (ex.: stop-loss). Não somar os dois critérios para a mesma consequência.

Fonte: ACGS 2024, pp. 9–10, 13

PVS1 + PP2

PP2 não deve ser aplicado se PVS1 já estiver sendo usado.

A ACGS 2024 lista PP2 entre os critérios que não devem ser usados com PVS1; o raciocínio de restrição a variação missense de PP2 geralmente não acrescenta evidência independente a uma variante já classificada como LOF por PVS1.

Fonte: ACGS 2024, p. 10

PVS1 + PP3

PVS1 e PP3 não devem ser usados conjuntamente.

Para variantes de splicing, a predição computacional frequentemente já integra a avaliação que antecede a determinação do efeito LOF; não deve gerar peso independente adicional quando PVS1 já se aplica.

Fonte: ACGS 2024, p. 10

PVS1 + PS3

PS3 não deve ser somado quando PVS1 está em força Muito Forte.

Para variantes sem NMD, dados funcionais podem contribuir para elevar o peso de PVS1 até Muito Forte; nesse cenário, PS3 não deve ser somado separadamente como segunda evidência.

Fonte: ACGS 2024, p. 10

PS1 + PM4

PS1 não deve ser utilizado em conjunto com PM4.

A ACGS 2024 estabelece essa restrição explicitamente no refinamento de PS1.

Fonte: ACGS 2024, p. 10

PS2 + PM6

PS2 e PM6 não devem ser somados para o mesmo evento de novo.

São representações alternativas da força do mesmo tipo de evidência (PS2: parentalidade confirmada; PM6: assumido de novo sem confirmação formal) — escolher um dos dois, não ambos.

Fonte: ACGS 2024, pp. 6–7, 10–11; ClinGen SVI de novo

Não reutilizar a mesma evidência

PM4 + PP3

Não reutilizar a mesma predição computacional para sustentar PM4 e PP3.

Se a informação in silico já foi incorporada à decisão de PM4, não deve ser reapresentada como PP3 independente.

Fonte: ACGS 2024, p. 13

BP3 + BP4

Não reutilizar a mesma evidência in silico para BP3 e BP4.

Se ferramentas computacionais foram usadas como parte do fundamento de BP3, não devem ser contadas novamente como BP4.

Fonte: ACGS 2024, pp. 16–17

PS2 + PP4

A especificidade fenotípica do mesmo paciente usada em PS2 não deve ser somada novamente como PP4.

A força do critério de novo já é modulada pela consistência/especificidade do fenótipo; contar o mesmo fenótipo uma segunda vez em PP4 cria dependência.

Fonte: ACGS 2024, pp. 7, 10–11

PM6 + PP4

A especificidade fenotípica do mesmo paciente usada em PM6 não deve ser somada novamente como PP4.

A força do critério de novo já é modulada pela consistência/especificidade do fenótipo; contar o mesmo fenótipo uma segunda vez em PP4 cria dependência.

Fonte: ACGS 2024, pp. 7, 10–11

PP4 + PS4

Não reutilizar os mesmos casos clínicos para PS4 e PP4.

Evitar dupla contagem dos mesmos casos entre enriquecimento de casos (PS4) e especificidade fenotípica (PP4).

Fonte: ACGS 2024, pp. 15–16

PP1 + PS4

Não reutilizar os mesmos familiares/casos entre PP1 e PS4.

Evitar que a mesma família aumente o peso duas vezes — por segregação (PP1) e por casos (PS4).

Fonte: ACGS 2020/2024

Exigir evidências independentes

PM1 + PM5

PM1 e PM5 só podem coexistir se sustentados por evidências independentes.

Não são incompatíveis por definição, mas não devem compartilhar a mesma observação — ex.: a mesma variante patogênica não pode ser simultaneamente a única razão para PM1 (hotspot) e a base de PM5 (mesmo resíduo).

Fonte: ACGS 2024, pp. 12–13

PM1 + PP2

Evitar dupla contagem de constraint/restrição entre PM1 e PP2.

Se a mesma métrica de constraint regional (intolerância a variação missense) sustenta os dois critérios, a evidência não é independente.

Fonte: ACGS 2024, pp. 12, 14

Preferência documentada

PM3 + PS4

Para doenças autossômicas recessivas, prefira PM3 a PS4 para os mesmos casos raros.

PM3 representa especificamente observação em trans/homozigose no modelo recessivo; usar os mesmos casos em PS4 pode duplicar evidência. Exceção: variantes recessivas comuns em que PM2 não é aplicável podem justificar PS4.

Fonte: ACGS 2024, p. 13

Revisão manual recomendada

PS1 + PM5

Verificar independência: ambos usam substituições aminoacídicas previamente estabelecidas.

Há potencial de dependência, mas não há proibição geral explícita nas fontes usadas — não bloquear automaticamente sem regra VCEP específica.

Fonte: ACGS 2024

PS1 + PM1

Verificar se PM1 é sustentado apenas pela mesma variante usada para PS1.

Se PM1 depende exclusivamente da variante de referência de PS1, há dupla contagem; se for sustentado por hotspot/domínio robusto e independente, não há proibição geral.

Fonte: ACGS 2024

PS3 + PM1

Verificar se o ensaio funcional de PS3 é a única razão para declarar o domínio/resíduo crítico em PM1.

Um ensaio variante-específico pode ser independente da evidência regional/domínio; evitar apenas nesse cenário de sobreposição.

Fonte: ACGS 2024

BS2 + BP2

Verificar se o mesmo indivíduo saudável/configuração genotípica sustenta os dois critérios.

Pode haver dependência; não há, nas fontes usadas, uma proibição geral equivalente às regras explícitas de PVS1.

Fonte: ACGS 2024

BP2 + BP5

Verificar se a mesma variante patogênica alternativa sustenta os dois critérios.

Pode ocorrer dupla contagem se a mesma variante alternativa for usada em BP2 (coocorrência) e em BP5 (causa molecular alternativa).

Fonte: ACGS 2024, pp. 16–17

Combinações explicitamente permitidas

PS3 + PP3

Permitido para variantes missense quando o ensaio funcional e a predição computacional são independentes.

Fonte: ACGS 2024, p. 11

BS1 + BS2

Explicitamente permitido, desde que cada critério seja individualmente válido.

Fonte: ACGS 2024, p. 16

BP4 + BP7

Permitido para variantes sinônimas sem efeito previsto em splicing, quando não há evidência de RNA sendo usada para BP7.

Fonte: ACGS 2024, pp. 16–17

O que não é verificado automaticamente

Algumas regras da diretriz dependem de contexto que o VariClass não coleta — por exemplo, se um PP3, BP4, PS3 ou BP7 se refere especificamente a splicing e se há evidência de RNA envolvida (PVS1[RNA], BP7[RNA]), ou a proveniência estruturada de cada evidência (mesmo caso, mesma família, mesmo ensaio). Essas regras não geram alerta automático; a exclusão de PVS1 + PP3 e a permissão padrão de BP4 + BP7 já cobrem os cenários mais comuns dessa categoria, mas a revisão do contexto continua sendo responsabilidade do avaliador.

Referências

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